Um Olha Diferente
Simone Pinto Melo, SPMelo, 23/08/1972,
Macapá/Amapá, é uma artista plástica, arte educadora e instrutora de arte.
Estudou pintura e escultura na Escola Cândido Portinari em Macapá, onde
aperfeiçoou ainda mais suas técnicas em artes plásticas.
Simone
morou na França por um ano, onde estudou técnicas de pintura na Universidade de
Mulhouse, onde participou de duas exposições coletivas na cidade de Saint Louis
na França.
A última Ceia
Foto: Edineia Carvalho
“Muitos Pesquisadores em arte, afirmam que a arte contemporânea é construída não mais
necessariamente com o novo e o original, como ocorria no Modernismo e nos
movimentos vanguardistas. Ela se caracteriza principalmente pela liberdade de
atuação do artista, que não tem mais compromissos institucionais que o limitem,
portanto pode exercer seu trabalho sem se preocupar em
imprimir nas suas obras um determinado cunho religioso ou político” Conversando
com a Artista Simone Melo, ela coloca que sim, ainda se produz muitas obras com
os cunhos políticos e religiosos que é no caso dela, ela tem uma certa
inquietação em relação a arte contemporânea.
Quando se fala de Simone Melo SPMelo, estamos falando de uma
artista contemporânea que não se preocupa com o que é certo e o que é errado
imposto pela sociedade, SPMelo pinta o que lhe dê vontade, diversas técnicas um
verdadeiro hibridismo.
Ao falar de suas obras religiosas, Simone retrata o
sofrimento e comunhão, com Jesus Negro, dando um impacto para o expectador.
A questão da cor de Jesus sempre foi um tema
polêmico, evocando fortes paixões tanto a favor como contra a negritude e
branquitude de Cristo. Tem uma brincadeira que os negros norte-americanos
costumam dizer sobre três maneiras que prova que Jesus era Negro:
§ Ele chamou todos de irmãos,
§ Gostava do Evangelho, e
§ Ele não poderia ter um julgamento
justo.
Brincadeiras à parte, Simone retrata
essa questão em suas telas religiosas, a cor de pele de Jesus e seus apóstolos.
Esse impacto gerou tantas críticas para a artista. Infelizmente a sociedade
prega uma imagem que nem se tem provas se Jesus era ou não branco.
A pintura acompanha o ser humano por toda sua história. Ainda que durante
o período grego clássico não tenha se desenvolvido tanto quanto a escultura,
a Pintura foi uma das principais formas de representação dos povos medievais, do Renascimento até o século XX.
Mas é a partir do século XIX com o crescimento da técnica de
reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial, que a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até
então a gravura era a única forma de reprodução de
imagens, trabalho muitas vezes realizado por pintores.
Mas com o surgimento da fotografia,
a função principal da pintura de cavalete, a representação de imagens, enfrenta
uma competição difícil. Essa é, de certa maneira, a crise da imagem única e o
apogeu de reprodução em massa.
Simone em seu Atelie
Foto: Luan Ribeiro
Simone Melo em seu atelie
Foto: Luan Ribeiro
Simone Melo em sua exposição
Foto: Edineia Carvalho
Quando se fala de pintura, lembramos
muito no passado os grandes pintores, como Da Vince, Michelangelo, Monet enfim.
Quando começo a falar de arte contemporânea, não que eu tenha preconceito com
os pintores, jamais, eu os respeito muito pelos trabalhos magníficos, mas a
pintura parou no tempo, lá na semana de 22, quando falamos de pinturas
contemporâneas, não coloco mais ela no mundo das artes e sim no mundo do
mercado, a arte hoje no século XXI, não está para vender e sim criar conceitos,
criar críticas em relação ao mundo em que vivemos, porque não utilizar o corpo
para retratar o Jesus Cristo Negro? Usar objetos que a sociedade impõe como
sagrados? Relatar a questão do Jesus
Negro eu colocaria uma performance blasfêmia, para impactar tudo o que o povo
impõe na sociedade.
Quando fiz a pergunta a Simone, você é
contemporânea? Ela responde que sim, eu estou viva e sou contemporânea.
Concordo com a Simone, mas não coloco o
mundo das artes dela no mundo da arte contemporânea.
A arte contemporânea é o corpo em que habitamos, o
corpo que antes já era retratado nas pinturas, se torna vivo, ali presente.
Texto: Luan Ribeiro; Edineia Carvalho.














