quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Um Olha Diferente


Simone Pinto Melo, SPMelo, 23/08/1972, Macapá/Amapá, é uma artista plástica, arte educadora e instrutora de arte. Estudou pintura e escultura na Escola Cândido Portinari em Macapá, onde aperfeiçoou ainda mais suas técnicas em artes plásticas.
 Simone morou na França por um ano, onde estudou técnicas de pintura na Universidade de Mulhouse, onde participou de duas exposições coletivas na cidade de Saint Louis na França.


A última Ceia 
Foto: Edineia Carvalho


“Muitos Pesquisadores em arte, afirmam que a arte contemporânea é construída não mais necessariamente com o novo e o original, como ocorria no Modernismo e nos movimentos vanguardistas. Ela se caracteriza principalmente pela liberdade de atuação do artista, que não tem mais compromissos institucionais que o limitem, portanto pode exercer seu trabalho sem se preocupar em imprimir nas suas obras um determinado cunho religioso ou político” Conversando com a Artista Simone Melo, ela coloca que sim, ainda se produz muitas obras com os cunhos políticos e religiosos que é no caso dela, ela tem uma certa inquietação em relação a arte contemporânea. 
Quando se fala de Simone Melo SPMelo, estamos falando de uma artista contemporânea que não se preocupa com o que é certo e o que é errado imposto pela sociedade, SPMelo pinta o que lhe dê vontade, diversas técnicas um verdadeiro hibridismo.
Ao falar de suas obras religiosas, Simone retrata o sofrimento e comunhão, com Jesus Negro, dando um impacto para o expectador.
A questão da cor de Jesus sempre foi um tema polêmico, evocando fortes paixões tanto a favor como contra a negritude e branquitude de Cristo. Tem uma brincadeira que os negros norte-americanos costumam dizer sobre três maneiras que prova que Jesus era Negro:

§  Ele chamou todos de irmãos,
§  Gostava do Evangelho, e
§  Ele não poderia ter um julgamento justo.

Brincadeiras à parte, Simone retrata essa questão em suas telas religiosas, a cor de pele de Jesus e seus apóstolos. Esse impacto gerou tantas críticas para a artista. Infelizmente a sociedade prega uma imagem que nem se tem provas se Jesus era ou não branco.

A pintura acompanha o ser humano por toda sua história. Ainda que durante o período grego clássico não tenha se desenvolvido tanto quanto a escultura, a Pintura foi uma das principais formas de representação dos povos medievais, do Renascimento até o século XX.
Mas é a partir do século XIX com o crescimento da técnica de reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial, que a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até então a gravura era a única forma de reprodução de imagens, trabalho muitas vezes realizado por pintores. Mas com o surgimento da fotografia, a função principal da pintura de cavalete, a representação de imagens, enfrenta uma competição difícil. Essa é, de certa maneira, a crise da imagem única e o apogeu de reprodução em massa.

Simone em seu Atelie 
Foto: Luan Ribeiro

Simone Melo em seu atelie 
Foto: Luan Ribeiro

Simone Melo em sua exposição
Foto: Edineia Carvalho


Quando se fala de pintura, lembramos muito no passado os grandes pintores, como Da Vince, Michelangelo, Monet enfim. Quando começo a falar de arte contemporânea, não que eu tenha preconceito com os pintores, jamais, eu os respeito muito pelos trabalhos magníficos, mas a pintura parou no tempo, lá na semana de 22, quando falamos de pinturas contemporâneas, não coloco mais ela no mundo das artes e sim no mundo do mercado, a arte hoje no século XXI, não está para vender e sim criar conceitos, criar críticas em relação ao mundo em que vivemos, porque não utilizar o corpo para retratar o Jesus Cristo Negro? Usar objetos que a sociedade impõe como sagrados?  Relatar a questão do Jesus Negro eu colocaria uma performance blasfêmia, para impactar tudo o que o povo impõe na sociedade.
Quando fiz a pergunta a Simone, você é contemporânea? Ela responde que sim, eu estou viva e sou contemporânea.
Concordo com a Simone, mas não coloco o mundo das artes dela no mundo da arte contemporânea.  

A arte contemporânea é o corpo em que habitamos, o corpo que antes já era retratado nas pinturas, se torna vivo, ali presente.



Texto: Luan Ribeiro; Edineia Carvalho.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Nu de Peter Bridgstock.

Peter Bridgstock, um desenhista Nova Yorkino que nasceu em 1952 Liverpool no Reino Unido, onde estudou na Escola Lorde, se graduando em Arte em 1970.  1984 emigrou para Nova York – EUA. Avaliado pela NY Times, Newsday, como um observador. Mostra em Nova York principalmente trabalhos figurativos desde 2000.

A figura humana é a mais difícil de todas as coisas, para capturar com uma sensação de vivacidade, para ter uma noção da emoção a babá está sentindo, de tédio a emoção, o nu não é erótico em si mesmo para mim, mas um desafio que eu acho que a maior parte do erotismo é encontrado pelo espectador diz Peter. 

The Nu Peter Bridgstock.


Peter Bridgstock, designer New Yorker who was born in 1952 in Liverpool UK, where he studied at the School Lorde, majoring in Art in 1970. in 1984 he immigrated to New York - USA. Reviewed by NY Times, Newsday, as an observer. Shows in New York mainly figurative works since 2000.
The human figure is the most difficult of all things to capture with a sense of liveliness, to get a sense of the sitter is feeling emotion, the emotion of boredom, the nude is not erotic in itself for me, but a challenge I think most of eroticism is found by the viewer.









Texto: Luan Ribeiro

terça-feira, 28 de outubro de 2014

POÉTICAS DO SENSÍVEL – ARTE, EROTISMO E PRAZER

 Imaginar e erotizar para ser e possuir. Nós, os humanos, construímos a nossa consciência de espécie através de aquisições realizadas na nossa evolução. Estas foram biológicas, etológicas e culturais. A síntese evolutiva baseada naquilo de que somos feitos e a integração do que nos faz tal como somos. O erotismo, uma manifestação da sensibilidade sexual, encontra-se entre a abstração e a realidade do sexo social, e é desta maneira que se constitui em imaginação dialética. Não seríamos humanos sem o erotismo, a subtilidade não seria uma propriedade destacada da nossa espécie. Plutarco tinha sem dúvida razão: o erotismo é a desobediência da razão.
Eudald Carbonell
Especialista em evolução humana

Como compreender o erotismo hoje? Será que foi reduzido à pornografia – na qual o objeto sexual é mais uma mercadoria a ser consumida – ou, ao contrário, pode ser uma espécie de foco de resistência frente à intolerância crescente de nossa sociedade narcisista?

Somos o animal com a atividade sexual mais extravagante, praticamos o sexo pelo gozo e pela diversão, para darmos um incentivo à vida multicelular, e não só para nos reproduzirmos. Assim, a história do nosso erotismo decorre de fantasia em fantasia e depende da imaginação e do jogo, essência da mente humana e de qualquer artista, inventor, pensador. Que delícia espreitar pelo buraco da fechadura! Esquadrinhar exemplos divertidos de todas as épocas e nacionalidades, mais de mil e uma fantasias e curiosidades de choque: decadentes e nobres, inflamadas e intelectuais, epistolares, austeras, quotidianas, românticas, atribuladas, extravagantes, ridículas, doutorais, urgentes... Alma, coração e vida, há fantasias que são como a chuva, refrescam o espírito, e nem sequer na Bíblia são pecado. Há também fantasias para cada amante e para cada ocasião: donzelas espavoridas, génios, românticos, viciosos, vamps, raparigas, sedutores e colecionadores, ingénuos, poderosos, boémios, rebeldes.

Quando estamos diante de uma obra erótica, é difícil não nos sentirmos perturbados. Afinal, o erotismo aciona outros temas, como violência, perda de si, animalidade, dor com prazer. Algo nele vai contra o pacto social. Como já sugeria Bataille (1987), o erotismo mexe com o ser. Nas suas palavras: “O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no ponto em que ele põe a vida interior em questão. O erotismo é na consciência do homem aquilo que, nele, põe o ser em questão” (Bataille, 1987: 21).
Para Bataille, se, por um lado, a atividade sexual de reprodução é comum aos animais sexualizados e aos homens, por outro lado, só estes últimos fizeram de sua atividade sexual uma atividade erótica. Essa atividade supõe tanto uma violência elementar, que anima quaisquer que sejam os seus movimentos, quanto uma consciência da morte (ausente nos animais).


Outro autor que nos auxilia a pensar esse tema é Octavio Paz (1994). Segundo ele, o erotismo é a poesia do sexo. Isto porque, “embora as maneiras de relacionar-se sejam muitas, o ato sexual significa sempre a mesma coisa: reprodução. O erotismo é sexo em ação, mas, seja por desviá-la ou por negá-la, suspende a finalidade da função sexual” (Paz, 1994: 12). O ato erótico, portanto, se desprende do ato sexual. Nas palavras de Paz, ele “é sexo e é outra coisa” (Paz, 1994: 14). Assim, “o erotismo é invenção, variação incessante; enquanto que o sexo é sempre o mesmo” (Paz, 1994: 16). Em todo encontro erótico há um personagem invisível e sempre ativo: a imaginação, o desejo. Segundo Paz, existe uma ambiguidade no erotismo: é repressão e permissão, sublimação e perversão. “O erotismo é a sexualidade transfigurada pela imaginação humana” (Paz, 1994: 24).


 Para Paz, a sexualidade torna possível o erotismo (chama vermelha) e o amor (chama azul). A poesia seria o modo por excelência para falar desta última chama. Paz acrescenta ainda que, enquanto a sexualidade é imutável – ou seja, ligada compulsivamente à reprodução –, o erotismo adquire uma variedade quase infinita de modalidades. Se o sexo é natureza, o erotismo é aquilo que torna possível integrar o sexo à civilização. Ainda seguindo Paz, podemos tecer conexões entre amor/erotismo e a simbolização, a linguagem, a criatividade. O autor afirma, porém, que hoje “o erotismo transformou-se num departamento da indústria da publicidade e num ramo do comércio” (Paz, 1994: 144).

Processo de Instigação

Até que ponto o corpo pode ser arte? Ficar nu é arte? Esta excitado é arte?
O processo da intervenção iniciou no dia 31/07/2014, onde eu o autor, estava em um momento de excitação, e me veio em mente falar sobre esse processo que acontece com a maioria das pessoas. Ela se iniciou selecionando 5 pessoas anônimas, onde toparam posar de cueca excitados, mas não qualquer cueca, e, sim de cueca branca onde seria mais visível a ereção do pênis.
A seleção dos modelos foi um processo bem delicado, pois as pessoas que eu convidava para posarem, topavam ficar de cueca, mas não excitados, tornando assim o processo mais demorado, até que um por um fui conseguindo. Ligando para amigos, conversas por chat, Facebook foi uma das grandes ferramentas, anuncie a seleção de modelos, quando me deparei havia muitas mensagens perguntando o que eu estava fazendo? pra que essas fotos? desde ai já fui percebendo o quanto as pessoas tem uma certa inquietação em relação ao erotismo.
Depois da seleção, vem o processo fotográfico, eu procurei tirar as fotos, mas fui percebendo que a vergonha tomava conta dos modelos, então fiz a proposta deles mesmos tirarem as fotos. 




Texto: Luan Ribeiro
CEGOS, SURDOS E FAMINTOS

https://www.youtube.com/watch?v=sNICLMSDWY8

A proposta aqui a ser problematizada é de cunho, político, social, psicológico, filosófico, educacional.
O que está no centro do trabalho, se chama: SER HUMANO.
O ser mais complexo dentre todos os seres. As perguntas; quem sou? De onde vim? Para onde vou?
Ainda são feitas e refeitas, sem encontros com o que se julga ser verdade. No que nos tornamos?
Homens, mulheres, crianças, idosos, jovens... Somos máquinas de trabalho e daquilo que julgamos
ser prazeroso.


Propomos a devoração de si mesmo para tomar como seu, ou para si, o que se tem de melhor por
dentro. Retornemos ao nosso estado primitivo, simples, natural. Para somar ao desenvolvimento
tecnológico e a cultura da modernidade. E não para ser controlado, alienado por ela. 
Este vídeo foi feito pelos alunos de Graduação em Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Amapá através de um artigo também titulado de Cegos, Surdos e Famintos, que foi apresentado no XXII - CONGRESSO NACIONAL DA FEDERAÇÃO DOS ARTE EDUCADORES DO BRASIL - CONFAEB na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP em novembro de 2012. E 2013, o vídeo foi aceito para o 17º Encontro Nacional dos Estudantes de Artes - ENEARTE na cidade de Vitória - ES. 

DEVORE-SE, EXPERIMENTE-SE E VIVA-SE.



Texto: Marília Navegante, Mayara Marques, Luan Ribeiro.